Núcleo de Estudos e Pesquisa Histórica – NEPHIS

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A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE – PENSAMENTO PEDAGÓGICO ROMANO

Rosimeyre Maria dos Santos Passaro

RESUMO
A história da Educação na Antiguidade não pode deixar indiferente nossa cultura moderna. Ela retrata as origens diretas da nossa própria tradição pedagógica.

Este artigo procura ressaltar as bases da educação em Roma e como essa estrutura pedagógica pôde influenciar a nossa cultura educacional através dos tempos.

Palavras Chave: Educação na antiguidade – humanitas – Pensamento Pedagógico Romano- Cultura Helenística.

ABSTRACT
The history of the Education in the Antiquity cannot leave indifferent our modern culture. She portrays the direct origins of our own pedagogic tradition.

This article tries to emphasize the bases of the education in Rome and as that pedagogic structure it could influence our education culture through the times.
Key Words:

Education in the antiquity. – humanitas – Roman Pedagogic Thought – Hellenistic Culture

INTRODUÇÃO

“Um aposento sem livros é um corpo sem alma”

(Marco Túlio Cícero)

Vejamos primeiramente neste artigo a historia dos romanos, o poder o Império construído pelos romanos era tão grande que acabou se tornando uma referencia para todo o mundo ocidental, mesmo séculos depois de ter chegado ao seu final.
Todo desenvolvimento espiritual de Roma está distanciado pelo menos dois séculos do desenvolvimento do espírito grego. Sua evolução foi de modo geral paralela, porem mais tardia, mais lenta e menos radical.

Por serem ambas, Roma e Grécia, sociedades escravistas, o trabalho manual desvalorizado, enquanto o intelectual constituiu privilégio da aristocracia; a única a desfrutar de tais privilégios. Os educadores então buscam formar o Homem racional capaz de pensar corretamente e se expressar de forma convincente.

Havia, pois em Roma uma tradição pedagógica original, entretanto a educação latina evoluiu num sentido muito diferente, porque Roma se viu levada a adotar as formas e os métodos da educação helenística.

No final do século IV a.C., iniciou-se a decadência das cidades-estados, até a perda total de sua autonomia. A cultura helenística, no entanto, se funde as civilizações que a dominam, formando o helenismo. Nos séculos seguintes não haverá cidade importante do Oriente, da África e do mundo romano em expansão, que não tenha teatros, banhos, públicos, ginásios e bibliotecas inspirados na cultura helenística.

No período helenístico, a antiga paidéia torna-se enciclopédia , ou seja, educação geral, que consiste na ampla gama de conhecimento exigidos para a formação do homem culto. Cada vez mais aumentam os estudos teóricos, restringindo-se o tempo, predomina o saber erudito e distanciado do cotidiano. As questões metafísicas e políticas são substituídas pelos temas éticos.

CONTEXTO HISTÓRICO

A historia dos romanos remonta ao segundo milênio a.C., quando a parte centro-sul da península é povoada por tribos de provável origem indo-européia, os italiotas ou itálicos. Subdividem-se em diversos povos de línguas, costumes e desenvolvimento diferentes, dedicando-se alguns ao pastoreio, outros à agricultura.

O povo latino vive de inicio em regime de comunidade primitiva, em que não existe ainda a propriedade privada da terra. Os membros do clã rendem culto aos antepassados e aceitam a autoridade máxima da paterfamilias. Ocupam as colinas do Lácio, onde mais tarde foi fundada a cidade de Roma, provavelmente em 753 a.C., acontecimento envolto em lendas.

No século VII a.C., os gregos começaram a colonização do sul da península itálica, que passa a ser conhecida como Magna Grécia. Bem no norte, na Etrúria, atual Toscana, o povo e ainda adiantado e conhecedor da escrita. Por volta ainda do século VII, os etruscos iniciaram sua expansão, conquistando inclusive a região do Lácio, onde o regime gentílico se achava em processo de desagregação.

Podemos dividir a historia romana em três períodos:
• Realeza (de 753 a 509 a.C.): da fundação de Roma a queda do ultimo rei etrusco.
• Republica (de 609 a 27 a.C.): de inicio prevalece a luta entre patrícios e plebeus, e depois ocorre o expansionismo militar.
• Império (de 27 a.C. a 476 d.C.): da instauração do Império à sua queda, com a invasão dos bárbaros.

O Período Helenístico

Depois da Guerra do Peloponeso, que envolveu Atenas, Esparta e as cidades aliadas, outros conflitos tomaram conta das cidades-estados. Isso provocou o enfraquecimento da maioria delas.

Filipe, rei da Macedônia, aproveitou-se da situação e, em 338 a.C., dominou as cidades da Grécia. A Macedônia situava-se ao norte da Grécia, e seu povo falava uma língua semelhante ao grego.

Com a morte de Filipe em 336 a.C., assumiu o governo seu filho Alexandre Magno. Este, depois de uma tentativa de revolta na cidade grega de Tebas, conduziu um poderoso exercito de 40 mil homens para uma guerra contra Dario III, rei da Pérsia. Os persas acabaram vencidos em 334 a.C. Em seguida, Alexandre foi acolhido no Egito como um libertador, pois nessa época, o Egito estava sob domínio dos persas. Lá ele fundou Alexandria.

As conquistas de Alexandre se estenderam pela região da Mesopotâmia, onde ele conquistou a Babilônia, Susa e Persepolis. Levou a guerra ate a Índia, submetendo alguns príncipes indianos.

Suas conquistas levaram à formação de um vasto império, que compreendia desde a Grécia até a planície do rio Indo, na Índia, aglutinando diferentes povos e culturas.

Da fusão da cultura grega com a e outros povos dominados, principalmente egípcios, mesopotâmios e persas, surgiu a cultura helenística.
Após a morte de Alexandre, em 323 a.C., seu gigantesco império foi dividido entre seus generais. A fragmentação do governo não impediu a circulação de pessoas e mercadorias.

Entretanto, os diferentes Estados resultantes da divisão do império de Alexandre passaram a ser palco de constantes lutas internas. No século II a.C., esses Estados, enfraquecidos por essas lutas, não conseguiram resistir ao crescente domínio de Roma.

Um povo de camponeses

Pelos fins do século VI a.C., encontramos Roma e a cultura romana dominadas por uma aristocracia de campesinos, de proprietários rurais, explorando diretamente suas terras, uma classe social muito diversa.

No período Republicano houve a vitória da aristocracia rural sobre os elementos urbanos e conseqüentemente deve ter acarretado o fortalecimento da predominância campesina. Até os sobrenomes relembram a vida no campo, como por exemplo: Fabius, Lentulus, Cícero (tirados do nome da fava, da lentilha, do grão-de-bico).

Assim se explicam as características bem originais da mais antiga educação romana: era uma educação de camponeses (adaptada, é claro, a uma aristocracia).
A educação, para eles, era antes de tudo a iniciação progressiva em um modo de vida tradicional. Desde que toma consciência, e já por seus brinquedos, a criança esforça-se para imitar os gestos, o comportamento, os trabalhos dos mais velhos. À medida que cresce, introduz-se, faz-se admitir, silenciosa e reservada, no circulo dos grandes. Escuta os idosos falarem sobre a chuva e o bom tempo, sobre os trabalhos e os dias, sobre os homens e os animais. Pouco a pouco se associa ao trabalho dos campos, acompanha o pastor ou o lavrador, tenta preencher seu papel e considera uma honra o fato de a julgarem digna dele. A noção fundamental sobre que repousa esta concepção é a do respeito ao costume ancestral, norma de toda a ação e todo pensamento, tarefa essencial do educador.

A educação para o romano era, antes de tudo, a iniciação progressiva em um modo de vida tradicional.

A educação familiar

O instrumento de tal formação é a família. A constituição da família romana era organizada sob a austera autoridade do paterfamilias. Aos olhos dos romanos, a família é o meio natural em que deve crescer e formar-se a criança.
Tudo isso era diferente na Grécia, a oposição entre as duas pedagogias manifesta-se desde os primeiros anos: em Roma não é um escravo, mas a própria mãe quem educa seu filho. Mesmo nas maiores famílias ela se honra, permanecendo em casa para cumprir este dever, fazendo-se criada dos seus filhos. A influência da mãe marcava toda a vida do homem.

Quando a mãe não podia desempenhar sua função, escolhia-se para governar os filhos da casa alguma venerável parenta de idade madura, que soubesse exercer as mesmas atividades.

Antes de nascer, a criança estava sujeita a um sério perigo, o aborto, ao nascer a criança corria ainda, o perigo de ser abandonada pelo pai a quem se reconhecia esta faculdade cruel (isso foi abolido somente no ano de 374 por idéias cristãs), transposto este período a criança era levantada pelo pai e ingressava na família onde a esperavam felizes anos de infância, entre brinquedos, companheiros e o carinho dos componentes da família.

A atuação da mãe sobre a educação dos filhos deixa nos mesmos uma perene marca. Caio Graco, mesmo quando desempenhava o importante cargo de tribuno da plebe, costumava ouvir as opiniões da mãe, a grande Cornélia, sobre os altos negócios do Estado.

Aos sete anos, a criança passava a sentir mais diretamente a influência dos pais. Nada é mais característico da pedagogia romana: o pai é considerado como o verdadeiro educador; mais tarde, quando existem os mestres, sua ação será sempre considerada como mais ou menos assimilável a influência paterna. Enquanto que as meninas permaneciam mais ligadas ao lar, aprendendo a fiar lã e a desempenhar-se dos demais deveres de dona de casa, os meninos seguiam os pais à toda parte para se instruírem sobre os segredos da vida pública, na qual, um dia, deveriam desempenhar papel importante. O pater familias procurou cumprir com elevada consciência seus deveres de educador.

Por volta dos dezesseis anos, a educação familiar terminava. Uma cerimônia solenizava esta fase; antes de iniciar seu serviço, consagrava normalmente um ano ao aprendizado da vida pública. Os jovens nobres não eram tratados como simples conscritos, padrinhos eram encarregados de dirigi-los e de protegê-los.
Percebemos na educação romana um ideal moral: pois o essencial é formar a consciência da criança ou do jovem, inculcar-lhe um sistema rígido de valores morais, reflexos seguros, um estilo de vida.

O jovem nobre não é apenas educado no respeito da tradição nacional, que é um patrimônio comum a toda Roma, mas também na tradição própria de sua família.
Mais cívica, mais familiar, a educação romana é também, talvez mais profundamente religiosa que a grega. Assim, no plano da vida pública, Roma jamais admitiu o imoralismo maquiavélico de tipo espartano. Para a salvação da pátria, tudo é devido, mas nem tudo é permitido: é necessário ainda respeitar as leis da justiça, da moral e do direito.

A Influência Grega

A influência grega na educação em geral e de modo especial é no ensino. A civilização grega com que os romanos entraram em contato no século II a. C., é a chamada Civilização Helenística ou Helenismo. Houve uma influência em toda a sociedade romana, desde as altas rodas aristocráticas até as camadas servis.
Os romanos estiveram sempre em contato com a cultura grega. Mas é, sobretudo no século II a.C., após o domínio político da península helênica, que se processa uma verdadeira revolução espiritual sob o signo do Helenismo. Em dois pontos a reação romana triunfou, de certo modo, contra a influência grega na educação: um diz respeito à formação artística, outro à formação física. Com relação à formação artística, os romanos nunca aceitaram plenamente a música, o canto e a dança tão característicos da vida helênica. Música e danças foram, às vezes, consideradas como prazeres que não convinham à dignidade de um romano da velha estirpe. As competições atléticas eram praticadas por profissionais e a título de espetáculos. O romano preocupava-se mais com os deveres de cidadão e não consideravam tanto as práticas esportivas.
Apreciavam a equitação, os exercícios militares, o manejo das armas, os combates simulados e as lutas nos anfiteatros.

Apesar da verdadeira invasão de intelectuais gregos em Roma (gramáticos, retores, filósofos, etc), a mocidade romana resolveu ir aos próprios centros da civilização helenística completar, ao lado dos gregos de nascimento, sua formação intelectual.

Da escola do grammaticus saía-se conhecendo, com perfeição, o latim e o grego, isto é, as duas línguas que uma pessoa culta devia falar. O grego, com efeito, era conhecidíssimo no mundo romano.

Generalidades sobre o ensino

As escolas romanas imitam, no seu quadro, no seu programa, nos seus métodos, as escolas helenísticas. A adaptação ao meio lingüístico latino não acarreta modificações profundas na pedagogia (Marrou).

Como na Grécia, encontramos em Roma três graus sucessivos de ensino correspondendo à escola primária, à escola secundária e aos estudos superiores.
Aos sete anos, a criança passava a ser chamada puer e ingressava na escola primária. Ali permanecia até os onze ou doze anos. Após o curso primário, seguia-se o secundário até a idade em que o jovem recebia a toga viril, quando iniciava, então, os estudos superiores.

A educação privada não era reservada somente aos filhos de família. Aos romanos possuidores de numerosos escravos, especialmente em idade escolar, interessava prepará-los para que melhor pudessem desempenhar suas funções. Havia, pois, uma escola doméstica para escravos – o paedagogium – onde aprendiam as boas maneiras; os bem dotados de inteligência recebiam um grau de instrução que lhes permitisse servir de secretários dos patrões.

Organização da Escola

Os estudos são essencialmente humanistas, entendendo-se a Humanitas (Paidéia) como cultura geral que transcende os interesses locais e nacionais. Os romanos queriam universalizar a sua Humanitas, o que acabaram por conseguir através do cristianismo. A Humanitas era dada na escola do “gramático”, como:
• Ditado de um fragmento do texto, a título de exercício ortográfico;
• Memorização do fragmento;
• Tradução do verso em prosa e vice-versa;
• Expressão de uma mesma idéia em diversas construções;
• Análise das palavras e frases;
• Composição literária.

Através das conquistas, os romanos impuseram o latim a numerosas províncias. Na época áurea do Império, existia um m sistema de educação com 3 graus clássicos de ensino:
As escolas do ludi-magister – educação elementar;
As escolas do gramático – ensino secundário;
Os estabelecimentos de educação superior, que iniciaram com a Retórica e seguidos do ensino do Direito e da Filosofia, espécie de universidade, pois estas só surgiram na Idade Média.

A Humanitas restringiu-se aos estudos das letras, descuidando-se das ciências.

A Escola Primária

A instalação de escolas era livre à iniciativa privada, deixando o Estado sua fiscalização aos pais que deviam saber a quem entregavam os filhos para educar.
O alojamento era bem modesto: um alpendre, situado na proximidade dos pórticos, separado de ruídos; a mobília constava de bancos (os alunos escreviam sobre os joelhos), as vezes de mesas e outros móveis, como quadro-negro. O professor sentava sobre um estrado.

O magistério primário era uma profissão penosa, mal paga e de baixa consideração, o que ganhava mal dava para o sustento, então necessitava juntar receitas de outras fontes, escreviam nas horas vagas alguns testamentos.
Os alunos eram levados à escola de manhã por um escravo paedagogus, que às vezes, desempenhava papel decisivo na formação do adolescente.
O ano letivo durava de oito a nove meses e as férias de verão iam de julho até meados de outubro.

O programa da escola primária abrangia a leitura, a escrita e a aritmética. Antes de conhecerem a forma das letras, os alunos deviam aprender-lhes o nome e a ordem. Conhecido o aspecto dos sinais, passava-se às combinações silábicas e, depois às palavras isoladas. Os alunos primários, em estágio de alfabetização dividiam-se de acordo com seu adiantamento. Da leitura de palavras isoladas passava-se à de frases e pequenos versos. Os meninos aprendiam a escrever as palavras que deviam ser lidas. Utilizavam na escrita um ponteiro de ferro, com extremidades diferentes, uma para escrever e a outra para apagar. As folhas utilizadas eram o papiro ou pergaminho. A leitura e escrita estavam associadas à recitação de pequenos trechos decorados. Os meninos aprendiam também a arte de calcular, faziam cálculos; com os dedos e com o ábaco.

A disciplina era rígida e feroz. Uma pintura encontrada em uma escola de Pompéia mostra-nos uma cena completa de castigo: o aluno contido por dois colegas recebe as implacáveis bordoadas do mestre. A vizinhança estava habituada a ouvir as advertências em altos brados dos mestres e os gritos desesperados dos alunos castigados.

A Escola Secundária

Após o término dos estudos elementares, os meninos ingressavam na escola do grammaticus. A sala de aula era forrada com mapas murais e bustos de autores célebres. A situação financeira do grammaticus era superior a do professor primário.

Os ensinamentos visavam o aperfeiçoamento da boa linguagem e a explicação dos poetas clássicos.

Para a compreensão dos poetas, era indispensável estudar certas noções de História, Geografia, Astronomia, etc. Entre os poetas gregos, estudados inicialmente em traduções e, ao depois, nos textos originais, figuravam Homero, Hesíodo e Menandro.

A Escola Superior

Nem todos os que concluíam seus estudos elementares ingressavam no ensino secundário. Menor ainda era o número dos que podiam prosseguir os estudos de grau superior. “A sociedade romana permaneceu uma sociedade aristocrática e os estudos aprofundados fazem parte dos privilégios da elite” (Marrou).

A eloqüência se aprendia na prática, começando os estudos ainda bem jovens a freqüentar o forum em companhia do pai ou de algum advogado famoso.
O professor transmitia um ensinamento formal: ensinar as regras da oratória grega. Após o estudo teórico, os alunos passavam para a parte prática: composição e declamação de discursos. Essas demonstrações de capacidade oratória eram públicas e entre seus ouvintes estavam seus pais, segundo Marrou.
“Sob o Império, a educação romana, como a helenística, se havia tornado essencialmente estética. Através da Literatura e da Arte, ela aspira a realizar um ideal de humanismo, que não se limita nem se orienta por nenhum cuidado sólido de utilidade imediata e de formação” (Marrou).

“A aprendizagem formal da arte oratória não afastava, como poderia parecer à primeira vista, os jovens romanos da realidade da vida, pois nas escolas de retórica foi que, durante séculos, o Império encontrou homens capazes de reencher os altos postos de seus quadros administrativos e governamentais”(Marrou).

Sob o reinado de Adriano, criou-se em Roma uma espécie de universidade que recebeu o nome de Athenaeum em homenagem a Atenas. Além das aulas, possuía biblioteca copiosa e anfiteatro de conferências. Nos programas, integravam diversos ramos do conhecimento: gramática, retórica, filosofia, direito, medicina, cálculo, geometria, mecânica e arquitetura.

Os professores desfrutavam de vários privilégios, entre os quais a isenção de impostos e de serviço militar.

Alexandre Severo criou bolsas de estudos para estudantes pobres. Essas escolas eram conhecidas como escolas de cultura, então Roma foi se tornando, aos poucos, o centro de toda a classe de saber

O Ensino do Direito:
Era, com efeito, a grande originalidade do ensino latino oferecer à ambição dos jovens a carreira jurídica. Para os gregos notamos a originalidade da filosofia e a medicina. E para os romanos as escolas de direito (uma criação do gênio romano). De fato, representa a aparição de uma nova forma de cultura, de um tipo de espírito que o mundo grego não havia de modo algum pressentido. É um tipo original: o homem que conhece o direito, que sabe a fundo as leis, os costumes, as regras processuais, o repertório da jurisprudência (conjunto dos precedentes a que determinados casos se pode referir para invocar a autoridade da analogia, da tradição), que sabe propor a elegante solução que triunfa sobre a obscuridade da causa e a ambigüidade da lei. A sabedoria não é constituída apenas de trapaças, apóia-se sobre o justo, o bem e a ordem. Esta sabedoria contribuiu para o pensamento grego.

Há, pois, em Roma uma ciência do direito, seu conhecimento é um precioso bem, ao qual aspiram muitos jovens romanos: abre uma promissora carreira. Surge para atender a este desejo o mestre do direito (magister iuris), o mestre é mais um prático que um professor, o aluno o acompanha nas consultas jurídicas e aprende as sutilezas do caso.

Os romanos ensinavam
• Direito do pai sobre os filhos (pater – polestas);
• Direito do marido sobre a esposa (manus);
• Direito do senhor sobre os escravos (potestas dominica);
• Direito de um homem livre sobre um outro, que a lei lhe dava por contrato ou por condenação judiciária (manus capere);
• O Direito sobre a propriedade (dominium).

Os direitos decorriam desses direitos:
• No lar o pai pela Pater potestas infligia aos filhos as obrigações do clã.
• Na escola, os castigos eram severos e os culpados eram açoitados com vara.
• Todas as cidades e regiões conquistadas eram submetidas aos mesmos hábitos e costumes, à mesma administração, apesar de serem consideradas “aliados de Roma”.

Pensadores

• Catão: (234 – 149 a C.) chamado “O antigo”, distinguiu-se pela importância que atribuía à formação do caráter.
• Marco Terêncio Varão: (116 – 27 a C.), foi partidário de uma cultura Romano/Helênica; com base na “virtus” romana: pietas, honestitas, austerits.
• Marco Túlio Cícero (106 – 43 a C.), senador proclamado pelo Senado Romano como “pai da Pátria”, considerava o ideal da educação formar um orador que reunisse as qualidades do dialético, do filósofo, do poeta, do jurista e do ator.
• O orador encontrava sua base de sustentação na Humanitas. Essa, por sua vez, vinculava-se ao projeto político de Roma: reunir os diversos povos num grande império. Cícero foi o idealizador do Direito. Paz só com vitórias e escravidão aos vencidos. Aos rebeldes a pena capital.

A formação do homem humanista: imagem ideal de Roma

A praticidade do processo educativo romano inicia-se desde os tempos mais remotos, na educação doméstica, em que a vida familiar serve de principal instituição. Nesse processo, a criança recebe a máxima reverência, dentro das exigências de uma educação austera, que visa formá-la no amor à pátria e no culto aos deuses. O processo elementar visará formar nela a piedade, a honestidade e a austeridade.

O jovem romano integra-se no processo educativo a partir da vida diária, acompanhando o pai nos afazeres civis, pois o ideal imediato de todo processo educativo é formar o bom cidadão, formar o homem que um dia possa servir à pátria.

Trata-se de uma educação pela vida e para a vida. Dentro desse mesmo conceito, as meninas permanecem sob a vigilância da mãe para aprender os deveres da vida doméstica.

Doravante, o principal valor do processo educativo será a formação do caráter do educando, em sentido universal, cosmopolita, humanista.

O processo educativo requer os três fatores já apontados por ARISTÓTELES: disposições naturais, instrução e prática. O educador deve levar em consideração à individualidade de cada educando, procurando sobretudo, guiá-lo para o aperfeiçoamento moral, isto é, a virtude. O processo educativo visa, sobretudo o cultivo dessas disposições naturais; é uma arte que se fundamenta em normas técnicas. Quanto ao exercício desta arte, o processo educativo supõe a prática constante, pois, se não formar hábitos concretos, as melhores disposições naturais e a melhor técnica do ensino serão totalmente inúteis.
Sendo a vida humana social por excelência, o processo educativo é incumbência precípua do Estado, pois só ele é que possui meios de garantir a educação coletiva, pública, visando a formação do cidadão, do homem público, político e humanista.

Pensamento Filosófico da Época

Essencialmente Humanistas, queriam universalizar, conseguindo isso com o Cristianismo.

A educação romana era utilitária e militarista, organizada pela disciplina e justiça. Começava pela fidelidade administrativa; educação para a pátria.
No âmbito do pensamento filosófico, tornaram-se populares as correntes:
Epicurismo: baseado no desenvolvimento do espírito e na prática das virtudes, procurava atingir o bem pela busca do prazer.

Estoicismo: defendia a harmonia entre os indivíduos e a natureza. Argumentava que o prazer e a dor eram insignificantes diante da verdadeira felicidade. Propunham o desprendimento em relação aos bens materiais e defendia a fraternidade humana.

Cinismo: criticava sem nada oferecer, total desprezo aos valores tradicionais, desprendimento de tudo (riqueza).

Pressupostos Filosóficos

• “A virtude está na ação”.
• “Nada em nossa vida escapa ao dever”.
• “Próprio do Homem é à procura da verdade”.
• “Ensinar de acordo com a natureza humana”.
• “De que modo se reconhecem os talentos nas crianças e quais os que devem ser tratados”.

Considerações Finais

O processo educativo não deve visar o puro saber, e sim a vida. Todo o conhecimento deve relacionar-se com o comportamento moral do educando. Deve convencê-lo de que a vida é uma constante que exige energia e perseverança. Entretanto, este ensino só conseguirá ser eficaz mediante o exemplo e as convicções intimas.

O essencial é formar a consciência da criança ou do jovem, inculcar-lhe um sistema rígido de valores morais, reflexos seguros, um estilo de vida.
A educação moral do jovem romano era como a do grego, alimentada por uma escolha de exemplos oferecidos. O jovem não era apenas educado no respeito da tradição nacional, mas também na tradição própria de sua família.
Para a salvação da Pátria tudo é devido, mas nem tudo é permitido. É necessário, respeitar as leis da justiça, da moral e do direito.

Do ponto de vista da educação efetivamente dada, por se tratar de uma sociedade escravista que desvalorizava o trabalho manual, continua sendo privilegiada a formação intelectual da elite dominante. Dos pressupostos antropológicos que embasam a pedagogia, os romanos como os gregos, representam a tendência essencialista, a função da educação se resume no que “o homem deve ser”.

Bibliografia

ARRUDA, Maria Lúcia Aranha, História da Educação. São Paulo: Moderna, 2002.
ARRUDA, José Jobson. Toda a História. São Paulo: Ática, 2002.
GADOTTI, Moacyr, História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Moderna, 2002.
GIORDANI, Mário Curtis, História de Roma, Antiguidade Clássica. 7ª ed., Petrópolis: Editora Vozes, 1983.
MARROU, Henri Irínée, História da Educação na Antiguidade. São Paulo: EPU, 1975.
PILETTI, Cláudio, PILETTI, Nelson, História e Vida, São Paulo: Ática, 2002.
RANSON, Thomas Giles, Filosofia da Educação. EPU, 1983.
VALENTINI, Lucy R., VILELA, Maria Célia P., ORDONEZ, Marlene, Cultura e Sociedade. IBEP, 2002.

A EDUCAÇÃO NA ANTIGUIDADE – PENSAMENTO PEDAGÓGICO ROMANO

Rosimeyre Maria dos Santos Passaro

RESUMO
A história da Educação na Antiguidade não pode deixar indiferente nossa cultura moderna. Ela retrata as origens diretas da nossa própria tradição pedagógica.

Este artigo procura ressaltar as bases da educação em Roma e como essa estrutura pedagógica pôde influenciar a nossa cultura educacional através dos tempos.

Palavras Chave: Educação na antiguidade – humanitas – Pensamento Pedagógico Romano- Cultura Helenística.

ABSTRACT
The history of the Education in the Antiquity cannot leave indifferent our modern culture. She portrays the direct origins of our own pedagogic tradition.

This article tries to emphasize the bases of the education in Rome and as that pedagogic structure it could influence our education culture through the times.
Key Words:

Education in the antiquity. – humanitas – Roman Pedagogic Thought – Hellenistic Culture

INTRODUÇÃO

“Um aposento sem livros é um corpo sem alma”

(Marco Túlio Cícero)

Vejamos primeiramente neste artigo a historia dos romanos, o poder o Império construído pelos romanos era tão grande que acabou se tornando uma referencia para todo o mundo ocidental, mesmo séculos depois de ter chegado ao seu final.
Todo desenvolvimento espiritual de Roma está distanciado pelo menos dois séculos do desenvolvimento do espírito grego. Sua evolução foi de modo geral paralela, porem mais tardia, mais lenta e menos radical.

Por serem ambas, Roma e Grécia, sociedades escravistas, o trabalho manual desvalorizado, enquanto o intelectual constituiu privilégio da aristocracia; a única a desfrutar de tais privilégios. Os educadores então buscam formar o Homem racional capaz de pensar corretamente e se expressar de forma convincente.

Havia, pois em Roma uma tradição pedagógica original, entretanto a educação latina evoluiu num sentido muito diferente, porque Roma se viu levada a adotar as formas e os métodos da educação helenística.

No final do século IV a.C., iniciou-se a decadência das cidades-estados, até a perda total de sua autonomia. A cultura helenística, no entanto, se funde as civilizações que a dominam, formando o helenismo. Nos séculos seguintes não haverá cidade importante do Oriente, da África e do mundo romano em expansão, que não tenha teatros, banhos, públicos, ginásios e bibliotecas inspirados na cultura helenística.

No período helenístico, a antiga paidéia torna-se enciclopédia , ou seja, educação geral, que consiste na ampla gama de conhecimento exigidos para a formação do homem culto. Cada vez mais aumentam os estudos teóricos, restringindo-se o tempo, predomina o saber erudito e distanciado do cotidiano. As questões metafísicas e políticas são substituídas pelos temas éticos.

CONTEXTO HISTÓRICO

A historia dos romanos remonta ao segundo milênio a.C., quando a parte centro-sul da península é povoada por tribos de provável origem indo-européia, os italiotas ou itálicos. Subdividem-se em diversos povos de línguas, costumes e desenvolvimento diferentes, dedicando-se alguns ao pastoreio, outros à agricultura.

O povo latino vive de inicio em regime de comunidade primitiva, em que não existe ainda a propriedade privada da terra. Os membros do clã rendem culto aos antepassados e aceitam a autoridade máxima da paterfamilias. Ocupam as colinas do Lácio, onde mais tarde foi fundada a cidade de Roma, provavelmente em 753 a.C., acontecimento envolto em lendas.

No século VII a.C., os gregos começaram a colonização do sul da península itálica, que passa a ser conhecida como Magna Grécia. Bem no norte, na Etrúria, atual Toscana, o povo e ainda adiantado e conhecedor da escrita. Por volta ainda do século VII, os etruscos iniciaram sua expansão, conquistando inclusive a região do Lácio, onde o regime gentílico se achava em processo de desagregação.

Podemos dividir a historia romana em três períodos:
• Realeza (de 753 a 509 a.C.): da fundação de Roma a queda do ultimo rei etrusco.
• Republica (de 609 a 27 a.C.): de inicio prevalece a luta entre patrícios e plebeus, e depois ocorre o expansionismo militar.
• Império (de 27 a.C. a 476 d.C.): da instauração do Império à sua queda, com a invasão dos bárbaros.

O Período Helenístico

Depois da Guerra do Peloponeso, que envolveu Atenas, Esparta e as cidades aliadas, outros conflitos tomaram conta das cidades-estados. Isso provocou o enfraquecimento da maioria delas.

Filipe, rei da Macedônia, aproveitou-se da situação e, em 338 a.C., dominou as cidades da Grécia. A Macedônia situava-se ao norte da Grécia, e seu povo falava uma língua semelhante ao grego.

Com a morte de Filipe em 336 a.C., assumiu o governo seu filho Alexandre Magno. Este, depois de uma tentativa de revolta na cidade grega de Tebas, conduziu um poderoso exercito de 40 mil homens para uma guerra contra Dario III, rei da Pérsia. Os persas acabaram vencidos em 334 a.C. Em seguida, Alexandre foi acolhido no Egito como um libertador, pois nessa época, o Egito estava sob domínio dos persas. Lá ele fundou Alexandria.

As conquistas de Alexandre se estenderam pela região da Mesopotâmia, onde ele conquistou a Babilônia, Susa e Persepolis. Levou a guerra ate a Índia, submetendo alguns príncipes indianos.

Suas conquistas levaram à formação de um vasto império, que compreendia desde a Grécia até a planície do rio Indo, na Índia, aglutinando diferentes povos e culturas.

Da fusão da cultura grega com a e outros povos dominados, principalmente egípcios, mesopotâmios e persas, surgiu a cultura helenística.
Após a morte de Alexandre, em 323 a.C., seu gigantesco império foi dividido entre seus generais. A fragmentação do governo não impediu a circulação de pessoas e mercadorias.

Entretanto, os diferentes Estados resultantes da divisão do império de Alexandre passaram a ser palco de constantes lutas internas. No século II a.C., esses Estados, enfraquecidos por essas lutas, não conseguiram resistir ao crescente domínio de Roma.

Um povo de camponeses

Pelos fins do século VI a.C., encontramos Roma e a cultura romana dominadas por uma aristocracia de campesinos, de proprietários rurais, explorando diretamente suas terras, uma classe social muito diversa.

No período Republicano houve a vitória da aristocracia rural sobre os elementos urbanos e conseqüentemente deve ter acarretado o fortalecimento da predominância campesina. Até os sobrenomes relembram a vida no campo, como por exemplo: Fabius, Lentulus, Cícero (tirados do nome da fava, da lentilha, do grão-de-bico).

Assim se explicam as características bem originais da mais antiga educação romana: era uma educação de camponeses (adaptada, é claro, a uma aristocracia).
A educação, para eles, era antes de tudo a iniciação progressiva em um modo de vida tradicional. Desde que toma consciência, e já por seus brinquedos, a criança esforça-se para imitar os gestos, o comportamento, os trabalhos dos mais velhos. À medida que cresce, introduz-se, faz-se admitir, silenciosa e reservada, no circulo dos grandes. Escuta os idosos falarem sobre a chuva e o bom tempo, sobre os trabalhos e os dias, sobre os homens e os animais. Pouco a pouco se associa ao trabalho dos campos, acompanha o pastor ou o lavrador, tenta preencher seu papel e considera uma honra o fato de a julgarem digna dele. A noção fundamental sobre que repousa esta concepção é a do respeito ao costume ancestral, norma de toda a ação e todo pensamento, tarefa essencial do educador.

A educação para o romano era, antes de tudo, a iniciação progressiva em um modo de vida tradicional.

A educação familiar

O instrumento de tal formação é a família. A constituição da família romana era organizada sob a austera autoridade do paterfamilias. Aos olhos dos romanos, a família é o meio natural em que deve crescer e formar-se a criança.
Tudo isso era diferente na Grécia, a oposição entre as duas pedagogias manifesta-se desde os primeiros anos: em Roma não é um escravo, mas a própria mãe quem educa seu filho. Mesmo nas maiores famílias ela se honra, permanecendo em casa para cumprir este dever, fazendo-se criada dos seus filhos. A influência da mãe marcava toda a vida do homem.

Quando a mãe não podia desempenhar sua função, escolhia-se para governar os filhos da casa alguma venerável parenta de idade madura, que soubesse exercer as mesmas atividades.

Antes de nascer, a criança estava sujeita a um sério perigo, o aborto, ao nascer a criança corria ainda, o perigo de ser abandonada pelo pai a quem se reconhecia esta faculdade cruel (isso foi abolido somente no ano de 374 por idéias cristãs), transposto este período a criança era levantada pelo pai e ingressava na família onde a esperavam felizes anos de infância, entre brinquedos, companheiros e o carinho dos componentes da família.

A atuação da mãe sobre a educação dos filhos deixa nos mesmos uma perene marca. Caio Graco, mesmo quando desempenhava o importante cargo de tribuno da plebe, costumava ouvir as opiniões da mãe, a grande Cornélia, sobre os altos negócios do Estado.

Aos sete anos, a criança passava a sentir mais diretamente a influência dos pais. Nada é mais característico da pedagogia romana: o pai é considerado como o verdadeiro educador; mais tarde, quando existem os mestres, sua ação será sempre considerada como mais ou menos assimilável a influência paterna. Enquanto que as meninas permaneciam mais ligadas ao lar, aprendendo a fiar lã e a desempenhar-se dos demais deveres de dona de casa, os meninos seguiam os pais à toda parte para se instruírem sobre os segredos da vida pública, na qual, um dia, deveriam desempenhar papel importante. O pater familias procurou cumprir com elevada consciência seus deveres de educador.

Por volta dos dezesseis anos, a educação familiar terminava. Uma cerimônia solenizava esta fase; antes de iniciar seu serviço, consagrava normalmente um ano ao aprendizado da vida pública. Os jovens nobres não eram tratados como simples conscritos, padrinhos eram encarregados de dirigi-los e de protegê-los.
Percebemos na educação romana um ideal moral: pois o essencial é formar a consciência da criança ou do jovem, inculcar-lhe um sistema rígido de valores morais, reflexos seguros, um estilo de vida.

O jovem nobre não é apenas educado no respeito da tradição nacional, que é um patrimônio comum a toda Roma, mas também na tradição própria de sua família.
Mais cívica, mais familiar, a educação romana é também, talvez mais profundamente religiosa que a grega. Assim, no plano da vida pública, Roma jamais admitiu o imoralismo maquiavélico de tipo espartano. Para a salvação da pátria, tudo é devido, mas nem tudo é permitido: é necessário ainda respeitar as leis da justiça, da moral e do direito.

A Influência Grega

A influência grega na educação em geral e de modo especial é no ensino. A civilização grega com que os romanos entraram em contato no século II a. C., é a chamada Civilização Helenística ou Helenismo. Houve uma influência em toda a sociedade romana, desde as altas rodas aristocráticas até as camadas servis.
Os romanos estiveram sempre em contato com a cultura grega. Mas é, sobretudo no século II a.C., após o domínio político da península helênica, que se processa uma verdadeira revolução espiritual sob o signo do Helenismo. Em dois pontos a reação romana triunfou, de certo modo, contra a influência grega na educação: um diz respeito à formação artística, outro à formação física. Com relação à formação artística, os romanos nunca aceitaram plenamente a música, o canto e a dança tão característicos da vida helênica. Música e danças foram, às vezes, consideradas como prazeres que não convinham à dignidade de um romano da velha estirpe. As competições atléticas eram praticadas por profissionais e a título de espetáculos. O romano preocupava-se mais com os deveres de cidadão e não consideravam tanto as práticas esportivas.
Apreciavam a equitação, os exercícios militares, o manejo das armas, os combates simulados e as lutas nos anfiteatros.

Apesar da verdadeira invasão de intelectuais gregos em Roma (gramáticos, retores, filósofos, etc), a mocidade romana resolveu ir aos próprios centros da civilização helenística completar, ao lado dos gregos de nascimento, sua formação intelectual.

Da escola do grammaticus saía-se conhecendo, com perfeição, o latim e o grego, isto é, as duas línguas que uma pessoa culta devia falar. O grego, com efeito, era conhecidíssimo no mundo romano.

Generalidades sobre o ensino

As escolas romanas imitam, no seu quadro, no seu programa, nos seus métodos, as escolas helenísticas. A adaptação ao meio lingüístico latino não acarreta modificações profundas na pedagogia (Marrou).

Como na Grécia, encontramos em Roma três graus sucessivos de ensino correspondendo à escola primária, à escola secundária e aos estudos superiores.
Aos sete anos, a criança passava a ser chamada puer e ingressava na escola primária. Ali permanecia até os onze ou doze anos. Após o curso primário, seguia-se o secundário até a idade em que o jovem recebia a toga viril, quando iniciava, então, os estudos superiores.

A educação privada não era reservada somente aos filhos de família. Aos romanos possuidores de numerosos escravos, especialmente em idade escolar, interessava prepará-los para que melhor pudessem desempenhar suas funções. Havia, pois, uma escola doméstica para escravos – o paedagogium – onde aprendiam as boas maneiras; os bem dotados de inteligência recebiam um grau de instrução que lhes permitisse servir de secretários dos patrões.

Organização da Escola

Os estudos são essencialmente humanistas, entendendo-se a Humanitas (Paidéia) como cultura geral que transcende os interesses locais e nacionais. Os romanos queriam universalizar a sua Humanitas, o que acabaram por conseguir através do cristianismo. A Humanitas era dada na escola do “gramático”, como:
• Ditado de um fragmento do texto, a título de exercício ortográfico;
• Memorização do fragmento;
• Tradução do verso em prosa e vice-versa;
• Expressão de uma mesma idéia em diversas construções;
• Análise das palavras e frases;
• Composição literária.

Através das conquistas, os romanos impuseram o latim a numerosas províncias. Na época áurea do Império, existia um m sistema de educação com 3 graus clássicos de ensino:
As escolas do ludi-magister – educação elementar;
As escolas do gramático – ensino secundário;
Os estabelecimentos de educação superior, que iniciaram com a Retórica e seguidos do ensino do Direito e da Filosofia, espécie de universidade, pois estas só surgiram na Idade Média.

A Humanitas restringiu-se aos estudos das letras, descuidando-se das ciências.

A Escola Primária

A instalação de escolas era livre à iniciativa privada, deixando o Estado sua fiscalização aos pais que deviam saber a quem entregavam os filhos para educar.
O alojamento era bem modesto: um alpendre, situado na proximidade dos pórticos, separado de ruídos; a mobília constava de bancos (os alunos escreviam sobre os joelhos), as vezes de mesas e outros móveis, como quadro-negro. O professor sentava sobre um estrado.

O magistério primário era uma profissão penosa, mal paga e de baixa consideração, o que ganhava mal dava para o sustento, então necessitava juntar receitas de outras fontes, escreviam nas horas vagas alguns testamentos.
Os alunos eram levados à escola de manhã por um escravo paedagogus, que às vezes, desempenhava papel decisivo na formação do adolescente.
O ano letivo durava de oito a nove meses e as férias de verão iam de julho até meados de outubro.

O programa da escola primária abrangia a leitura, a escrita e a aritmética. Antes de conhecerem a forma das letras, os alunos deviam aprender-lhes o nome e a ordem. Conhecido o aspecto dos sinais, passava-se às combinações silábicas e, depois às palavras isoladas. Os alunos primários, em estágio de alfabetização dividiam-se de acordo com seu adiantamento. Da leitura de palavras isoladas passava-se à de frases e pequenos versos. Os meninos aprendiam a escrever as palavras que deviam ser lidas. Utilizavam na escrita um ponteiro de ferro, com extremidades diferentes, uma para escrever e a outra para apagar. As folhas utilizadas eram o papiro ou pergaminho. A leitura e escrita estavam associadas à recitação de pequenos trechos decorados. Os meninos aprendiam também a arte de calcular, faziam cálculos; com os dedos e com o ábaco.

A disciplina era rígida e feroz. Uma pintura encontrada em uma escola de Pompéia mostra-nos uma cena completa de castigo: o aluno contido por dois colegas recebe as implacáveis bordoadas do mestre. A vizinhança estava habituada a ouvir as advertências em altos brados dos mestres e os gritos desesperados dos alunos castigados.

A Escola Secundária

Após o término dos estudos elementares, os meninos ingressavam na escola do grammaticus. A sala de aula era forrada com mapas murais e bustos de autores célebres. A situação financeira do grammaticus era superior a do professor primário.

Os ensinamentos visavam o aperfeiçoamento da boa linguagem e a explicação dos poetas clássicos.

Para a compreensão dos poetas, era indispensável estudar certas noções de História, Geografia, Astronomia, etc. Entre os poetas gregos, estudados inicialmente em traduções e, ao depois, nos textos originais, figuravam Homero, Hesíodo e Menandro.

A Escola Superior

Nem todos os que concluíam seus estudos elementares ingressavam no ensino secundário. Menor ainda era o número dos que podiam prosseguir os estudos de grau superior. “A sociedade romana permaneceu uma sociedade aristocrática e os estudos aprofundados fazem parte dos privilégios da elite” (Marrou).

A eloqüência se aprendia na prática, começando os estudos ainda bem jovens a freqüentar o forum em companhia do pai ou de algum advogado famoso.
O professor transmitia um ensinamento formal: ensinar as regras da oratória grega. Após o estudo teórico, os alunos passavam para a parte prática: composição e declamação de discursos. Essas demonstrações de capacidade oratória eram públicas e entre seus ouvintes estavam seus pais, segundo Marrou.
“Sob o Império, a educação romana, como a helenística, se havia tornado essencialmente estética. Através da Literatura e da Arte, ela aspira a realizar um ideal de humanismo, que não se limita nem se orienta por nenhum cuidado sólido de utilidade imediata e de formação” (Marrou).

“A aprendizagem formal da arte oratória não afastava, como poderia parecer à primeira vista, os jovens romanos da realidade da vida, pois nas escolas de retórica foi que, durante séculos, o Império encontrou homens capazes de reencher os altos postos de seus quadros administrativos e governamentais”(Marrou).

Sob o reinado de Adriano, criou-se em Roma uma espécie de universidade que recebeu o nome de Athenaeum em homenagem a Atenas. Além das aulas, possuía biblioteca copiosa e anfiteatro de conferências. Nos programas, integravam diversos ramos do conhecimento: gramática, retórica, filosofia, direito, medicina, cálculo, geometria, mecânica e arquitetura.

Os professores desfrutavam de vários privilégios, entre os quais a isenção de impostos e de serviço militar.

Alexandre Severo criou bolsas de estudos para estudantes pobres. Essas escolas eram conhecidas como escolas de cultura, então Roma foi se tornando, aos poucos, o centro de toda a classe de saber

O Ensino do Direito:
Era, com efeito, a grande originalidade do ensino latino oferecer à ambição dos jovens a carreira jurídica. Para os gregos notamos a originalidade da filosofia e a medicina. E para os romanos as escolas de direito (uma criação do gênio romano). De fato, representa a aparição de uma nova forma de cultura, de um tipo de espírito que o mundo grego não havia de modo algum pressentido. É um tipo original: o homem que conhece o direito, que sabe a fundo as leis, os costumes, as regras processuais, o repertório da jurisprudência (conjunto dos precedentes a que determinados casos se pode referir para invocar a autoridade da analogia, da tradição), que sabe propor a elegante solução que triunfa sobre a obscuridade da causa e a ambigüidade da lei. A sabedoria não é constituída apenas de trapaças, apóia-se sobre o justo, o bem e a ordem. Esta sabedoria contribuiu para o pensamento grego.

Há, pois, em Roma uma ciência do direito, seu conhecimento é um precioso bem, ao qual aspiram muitos jovens romanos: abre uma promissora carreira. Surge para atender a este desejo o mestre do direito (magister iuris), o mestre é mais um prático que um professor, o aluno o acompanha nas consultas jurídicas e aprende as sutilezas do caso.

Os romanos ensinavam
• Direito do pai sobre os filhos (pater – polestas);
• Direito do marido sobre a esposa (manus);
• Direito do senhor sobre os escravos (potestas dominica);
• Direito de um homem livre sobre um outro, que a lei lhe dava por contrato ou por condenação judiciária (manus capere);
• O Direito sobre a propriedade (dominium).

Os direitos decorriam desses direitos:
• No lar o pai pela Pater potestas infligia aos filhos as obrigações do clã.
• Na escola, os castigos eram severos e os culpados eram açoitados com vara.
• Todas as cidades e regiões conquistadas eram submetidas aos mesmos hábitos e costumes, à mesma administração, apesar de serem consideradas “aliados de Roma”.

Pensadores

• Catão: (234 – 149 a C.) chamado “O antigo”, distinguiu-se pela importância que atribuía à formação do caráter.
• Marco Terêncio Varão: (116 – 27 a C.), foi partidário de uma cultura Romano/Helênica; com base na “virtus” romana: pietas, honestitas, austerits.
• Marco Túlio Cícero (106 – 43 a C.), senador proclamado pelo Senado Romano como “pai da Pátria”, considerava o ideal da educação formar um orador que reunisse as qualidades do dialético, do filósofo, do poeta, do jurista e do ator.
• O orador encontrava sua base de sustentação na Humanitas. Essa, por sua vez, vinculava-se ao projeto político de Roma: reunir os diversos povos num grande império. Cícero foi o idealizador do Direito. Paz só com vitórias e escravidão aos vencidos. Aos rebeldes a pena capital.

A formação do homem humanista: imagem ideal de Roma

A praticidade do processo educativo romano inicia-se desde os tempos mais remotos, na educação doméstica, em que a vida familiar serve de principal instituição. Nesse processo, a criança recebe a máxima reverência, dentro das exigências de uma educação austera, que visa formá-la no amor à pátria e no culto aos deuses. O processo elementar visará formar nela a piedade, a honestidade e a austeridade.

O jovem romano integra-se no processo educativo a partir da vida diária, acompanhando o pai nos afazeres civis, pois o ideal imediato de todo processo educativo é formar o bom cidadão, formar o homem que um dia possa servir à pátria.

Trata-se de uma educação pela vida e para a vida. Dentro desse mesmo conceito, as meninas permanecem sob a vigilância da mãe para aprender os deveres da vida doméstica.

Doravante, o principal valor do processo educativo será a formação do caráter do educando, em sentido universal, cosmopolita, humanista.

O processo educativo requer os três fatores já apontados por ARISTÓTELES: disposições naturais, instrução e prática. O educador deve levar em consideração à individualidade de cada educando, procurando sobretudo, guiá-lo para o aperfeiçoamento moral, isto é, a virtude. O processo educativo visa, sobretudo o cultivo dessas disposições naturais; é uma arte que se fundamenta em normas técnicas. Quanto ao exercício desta arte, o processo educativo supõe a prática constante, pois, se não formar hábitos concretos, as melhores disposições naturais e a melhor técnica do ensino serão totalmente inúteis.
Sendo a vida humana social por excelência, o processo educativo é incumbência precípua do Estado, pois só ele é que possui meios de garantir a educação coletiva, pública, visando a formação do cidadão, do homem público, político e humanista.

Pensamento Filosófico da Época

Essencialmente Humanistas, queriam universalizar, conseguindo isso com o Cristianismo.

A educação romana era utilitária e militarista, organizada pela disciplina e justiça. Começava pela fidelidade administrativa; educação para a pátria.
No âmbito do pensamento filosófico, tornaram-se populares as correntes:
Epicurismo: baseado no desenvolvimento do espírito e na prática das virtudes, procurava atingir o bem pela busca do prazer.

Estoicismo: defendia a harmonia entre os indivíduos e a natureza. Argumentava que o prazer e a dor eram insignificantes diante da verdadeira felicidade. Propunham o desprendimento em relação aos bens materiais e defendia a fraternidade humana.

Cinismo: criticava sem nada oferecer, total desprezo aos valores tradicionais, desprendimento de tudo (riqueza).

Pressupostos Filosóficos

• “A virtude está na ação”.
• “Nada em nossa vida escapa ao dever”.
• “Próprio do Homem é à procura da verdade”.
• “Ensinar de acordo com a natureza humana”.
• “De que modo se reconhecem os talentos nas crianças e quais os que devem ser tratados”.

Considerações Finais

O processo educativo não deve visar o puro saber, e sim a vida. Todo o conhecimento deve relacionar-se com o comportamento moral do educando. Deve convencê-lo de que a vida é uma constante que exige energia e perseverança. Entretanto, este ensino só conseguirá ser eficaz mediante o exemplo e as convicções intimas.

O essencial é formar a consciência da criança ou do jovem, inculcar-lhe um sistema rígido de valores morais, reflexos seguros, um estilo de vida.
A educação moral do jovem romano era como a do grego, alimentada por uma escolha de exemplos oferecidos. O jovem não era apenas educado no respeito da tradição nacional, mas também na tradição própria de sua família.
Para a salvação da Pátria tudo é devido, mas nem tudo é permitido. É necessário, respeitar as leis da justiça, da moral e do direito.

Do ponto de vista da educação efetivamente dada, por se tratar de uma sociedade escravista que desvalorizava o trabalho manual, continua sendo privilegiada a formação intelectual da elite dominante. Dos pressupostos antropológicos que embasam a pedagogia, os romanos como os gregos, representam a tendência essencialista, a função da educação se resume no que “o homem deve ser”.

Bibliografia

ARRUDA, Maria Lúcia Aranha, História da Educação. São Paulo: Moderna, 2002.
ARRUDA, José Jobson. Toda a História. São Paulo: Ática, 2002.
GADOTTI, Moacyr, História das Idéias Pedagógicas. São Paulo: Moderna, 2002.
GIORDANI, Mário Curtis, História de Roma, Antiguidade Clássica. 7ª ed., Petrópolis: Editora Vozes, 1983.
MARROU, Henri Irínée, História da Educação na Antiguidade. São Paulo: EPU, 1975.
PILETTI, Cláudio, PILETTI, Nelson, História e Vida, São Paulo: Ática, 2002.
RANSON, Thomas Giles, Filosofia da Educação. EPU, 1983.
VALENTINI, Lucy R., VILELA, Maria Célia P., ORDONEZ, Marlene, Cultura e Sociedade. IBEP, 2002.

Piranguinho, 01 de Março de2008
Boa Noite!
Excelentíssimo Senhor Prefeito – Adoniram Martins Reno;
Excelentíssimo Senhor Vice-Prefeito Fancisco Mendonça;
Excelentíssimo Senhor Deputado Federal Virgílio Guimarães;
Excelentíssimo Senhor Deputado Estadual Durval Ângelo de Andrade;
Reverendíssimo Padre Benedito Francisco Lopes;
Estimado e Companheiro de trabalho Sr. Joaquim Mota de Almeida;
Estimado e Companheiro de trabalho Professor Zaluar Martins Reno (que não está presente por um motivo também especial);
Estimados Senhores, estimadas Senhoras;
Queridos amigos.

Há tempos, prezados Senhores, ouvimos que a cultura é simultaneamente um componente do que chamamos cidadania e um componente do que chamamos desenvolvimento. Para que ela cumpra o seu papel nessas duas áreas, é fundamental que os governos criem ambientes favoráveis à sua multiplicação e à sua afirmação. Quem faz cultura é a Sociedade, não é o Estado, mas cabe ao governante amplificar as possibilidades para a produção cultural e para a multiplicação dos canais de difusão e das oportunidades de acesso.

Essa é uma solenidade muito importante para nós, na qual celebramos o Lançamento do Livro “ESTAÇÃO DO PIRANGUINHO: AS ORIGENS E OUTROS OLHARES”.
Para o grande escritor e mestre, Monteiro Lobato, “um pais se faz com homens e livros”: São palavras como essas que o escritor nos convida para que mergulhemos num dos atos mais sublimes ao alcance da Humanidade: a leitura.
Ler é transcender, é possibilitar, é ir além do nosso tempo. Tantas e tantas vezes nos abrigamos no conforto acolhedor da leitura quando estamos amuados ou até alegres. Ler é abrir janelas, destramelar portas, enxergar com outros olhares, estabelecer novas conexões, construir pontes que ligam o que somos com o que outros, tantos outros, imaginaram, pensaram, escreveram. Ler é nos fazer expandidos.

Os livros colocam ao nosso alcance, saberes tão diversos como esses que vamos encontrar em Histórias de Piranguinho.

Esse não é o livro da “história oficial” de Piranguinho. É, na realidade, um primeiro volume com histórias de Piranguinho, à espera de muitos outros que certamente virão. Seu propósito é oferecer aos leitores possibilidade de acompanhar o “dito e o escrito”, isto é, os resultados de pesquisas realizadas até o momento sobre a história e a cultura do município. Preferencialmente, o livro abre espaço para o trabalho minucioso do Senhor Joaquim Mota de Almeida.

Seus escritos foram organizados em quatro capítulos. O primeiro – História de Piranguinho – apresenta, de modo geral, a evolução política e social do município. O segundo – Apontamentos – complementa o primeiro, abordando personagens e atividades que se destacaram na história local. No terceiro capítulo – Minhas Memórias –, o Sr. Joaquim Mota de Almeida expõe as experiências de sua formação como historiador e cidadão preocupado com a memória e a identidade local. O quarto capítulo, uma surpresa: “de viva voz”, ali estão às fontes do historiador e, para os entendidos, o seu método.

A segunda parte do livro tece considerações sobre as origens de Piranguinho em “O trem, o coronel e o santo”. A partir de pesquisas em cartórios, registros paroquiais e jornais, novos dados são acrescentados, permitindo a reorganização de alguns fatos registrados pelo historiador. Não houve a pretensão de reescrever a história, mas a intenção de permitir aos leitores percorrerem os meandros de um passado que nos chega, simultaneamente, através de registros orais e escritos, nem sempre complementares ou coincidentes. Ficam, assim, abertos os caminhos para diferentes interpretações e novas pesquisas. Além dessas novidades, outros dois capítulos abordam aspectos sócio-culturais em diferentes contextos da vida local.

Coube ao Núcleo de Estudos e Pesquisa Histórica – NEPHIS –, com a colaboração da Secretaria Municipal de Educação e do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Piranguinho, a escolha do modelo historiográfico e a seleção dos conteúdos apresentados. Além de organizar e dar forma aos escritos do Sr. Joaquim Mota de Almeida, o NEPHIS desenvolveu pesquisas que permitiram a elaboração dos demais capítulos. A definição por um primeiro volume, sugestão para possível coletânea, visa estimular novas pesquisas e a produção de novos trabalhos sobre o município.

Quando falamos de livro e leitura, Senhoras e Senhores, falamos, portanto, de expansões e de potencialidades (como mencionei). Já como resultado visível desta compreensão tanto do papel estratégico que o setor cultural passa a ter nas ações do governo, como desta modalidade democrática de construção de políticas públicas para este setor é que se encontram presentes nesta solenidade representantes dos poderes Executivo e Legislativo e da sociedade. É importante reafirmar, na presença de tão eminentes representantes, que temos desafios a serem suplantados.

E neste contexto de festividade e de compromisso com a Educação, que saudamos os idealizadores deste trabalho, na pessoa do Sr. Joaquim Mota de Almeida, do Professor Zaluar Martins Reno, dos membros do Núcleo de Estudos e Pesquisa História e demais colaboradores.

“Na certeza de que não estamos definitivamente prontos” nós, membros do Núcleo de Estudos, percebemos a necessidade de ampliar a compreensão da realidade através de estudo e pesquisa.

Desta forma, em 2002, foi criado em Itajubá – o Núcleo de Estudo e Pesquisa Histórica, por iniciativa de professores de História preocupados com a falta de debates sobre a prática docente e com a necessidade de desenvolver trabalhos de pesquisa na região. Assim, escolhemos o caminho coletivo porque acreditamos que dessa maneira seremos capazes de repensar o ensino de História, ou seja, ressignificar e repensar nossas práticas, como profissionais da Educação. E como ensino e pesquisa se interligam, o objetivo é resgatar a pesquisa como parte integrante do nosso trabalho em sala de aula e em sociedade, evitando a mera reprodução do conhecimento.

Quero encerrar afirmando que o lançamento deste livro é fruto das iniciativas de pessoas da comunidade e do poder público.
Imagino que qualquer história, marca em várias dimensões, a vida de cada pessoa, de cada sociedade. Utilizamos dessa leitura para abrir novos espaços de discussão, novas pesquisas como: monografias, trabalhos escolares, artigos, depoimentos, e tantos outros. Que o segundo volume seja tão esperado quanto o primeiro e assim sucessivamente.

Meus sinceros parabéns.

Muito obrigado