Núcleo de Estudos e Pesquisa Histórica – NEPHIS

Memórias de uma Professora

Posted on: fevereiro 23, 2007

LIMA, Rosana Meire. “Não me considero professora”: formação e práticas escolares nas memórias de Nair Mendonça Martins (Minas Gerais 1945 a 1990) 2006.78 p. (Dissertação – Mestrado em Educação). Universidade Vale do Rio Verde – UNINCOR – Três Corações – MG.

Palavras chaves: Formação de Professores, Memória, Identidade

Este trabalho analisa a formação de professores a partir das memórias de Nair Mendonça Martins que atuou em escolas rurais e urbanas de Minas Gerais entre os anos 1945 e 1990. O estudo faz uso das tendências metodológicas dos trabalhos sobre memória e formação de professores. As experiências de Dona Nair Mendonça Martins, professora de ensino primário nas cidades de Brazópolis e Piranguinho, foram reconstituídas a partir de fontes orais, escritas e visuais que possibilitaram também repensar o trabalho docente e sua contribuição para a formação da sociedade brasileira.

A pesquisa teve como objetivos: identificar elementos do processo de sua formação, reconhecer traços constitutivos de sua identidade como professora e analisar as políticas educacionais da época. A metodologia, com enfoque qualitativo, procurou reconstruir sua trajetória profissional contextualizando-a por meio da pesquisa bibliográfica e delineando-a através de entrevistas semi-estruturadas com amigos e companheiras de profissão, consulta aos cadernos de formação, ao diário de alunos, ao caderno de memórias, além de outros documentos de seu arquivo pessoal. As múltiplas atividades escolares, desenvolvidas conforme a orientação da política educacional do período em foco, revelam o dinamismo de uma mulher que ancorava sua ação nos valores tradicionais da família, da pátria e da religião.

A formação da professora rural, através dos cursos de treinamento, expõe principalmente as concepções de nação, de cidadania e de educação vigentes nos anos cinqüenta e permitem construir um esboço de uma face do Brasil cujo período industrial ainda dava passos tímidos. Vislumbra-se, assim, a situação conflitiva experimentada pela professora não titulada diante da professora normalista. Esse drama pessoal e coletivo ocorria dentro do jogo clientelista dos velhos coronéis da política local. Nesse contexto, Dona Nair fez-se professora e tornou-se uma alfabetizadora reconhecidamente competente. Por tudo isso, seu arquivo pessoal constitui uma importante fonte para estudos sobre a formação de professores no sul de Minas.

Debruçar sobre os documentos para recompor as práticas escolares daquele tempo não significa apenas lançar um olhar sobre o passado. Se memória é um termo que chama a atenção para a relação entre o passado e o presente, é muito mais este que, na atual conjuntura, se volta para aquele perguntando desesperadamente: o que é ser professor?

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